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Estreitar laços e ampliar cooperação
2020/09/08

Fátima Bezerra, Governadora do Rio Grande do Norte

A história da civilização chinesa remonta a mais de 5.800 anos. Nos últimos 70 anos, essa civilização passou a se organizar na forma de uma República Popular, que alcançou no século atual seu período áureo. Nunca antes a China teve tamanho destaque na geopolítica e no comércio internacional, e nunca antes seu povo viveu tão bem. Nas últimas décadas, mais de 800 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema, com a China se comprometendo a extirpar esse mal até o fim do presente ano.

Não sem motivo, o alvorecer desse esplêndido momento da civilização chinesa se dá concomitantemente ao fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e China, marcada por um importante período no qual esses dois países continentais lideraram um esforço para a mudança das relações de poder e economia global, e o enfrentamento da miséria e desigualdade no mundo.

O dia 15 de agosto marca o primeiro passo dessa jornada, quando ainda em 1974 foram estabelecidas as relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a República Popular da China. Em pouco tempo, a doutrina da reforma e abertura passaria a guiar as políticas interna e externa chineses, moldando a China, e aproximando-a cada vez mais de parceiros como o Brasil.

Se a década de 80 fica marcada pelo início das hoje costumeiras visitas entre os Chefes de Estado, e pelo lançamento do importante e exitoso Programa CBERS - China-Brazil Earth Resource Satellites, destaca-se na década de 90 a declaração de apoio do Brasil à entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), passo crucial para o estabelecimento da China como maior exportador e, em breve, o maior importador do mundo.

Os anos 2000, então, foram de grande evolução das relações entre os dois países. Com a eleição de Luis Inácio Lula da Sila, do Partido dos Trabalhadores, a Presidência do Brasil, o foco de nossa política externa se transfere da então costumeira submissão às “potências” tradicionais do G7 para o fortalecimento das relações com outros países tidos como “em desenvolvimento”, em defesa dos interesses e na busca de solução para os problemas enfrentados pelas economias emergentes.

O que se inicia com a criação da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação – COSBAN, principal mecanismo de coordenação da relação bilateral entre os países até hoje, e o reconhecimento da China como economia de mercado pelo Brasil, ainda no segundo ano do governo do Presidente Lula, resulta na criação dos BRICS e com a China alcançando o posto de maior parceiro comercial do Brasil, em 2009.

A década seguinte tem especial relevância para a relação da China com os Estados do Nordeste do Brasil, e notadamente para o Rio Grande do Norte. Foi no Ceará, por ocasião da Sexta Cúpula dos BRICS, onde foi assinado o acordo oficializando a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, NBD ou banco dos BRICS, importante passo para garantir a autonomia dos países em desenvolvimento, como bem destacou a Presidenta Dilma Rousseff naquela oportunidade.

Logo em seguida, no ano de 2016, foi criado o Consulado Geral da República Popular da China em Recife, com jurisdição sobre os oito Estados do Nordeste. E, em 2018, ao mesmo tempo que o povo do Rio Grande do Norte elege em mim a primeira Governadora de origem popular do Estado, e a única mulher a governar atualmente um Estado no Brasil, a Senhora Yan Yuqing assume como Cônsul Geral da China em Recife.

Assim, o ano de 2019, é marcado pelo fortalecimento dos laços do Rio Grande do Norte com a China, que, sem dúvida alguma, posso atribuir em grande parte a verdadeira relação de amizade e admiração mútua que estabeleci com a Senhora Yan Yuqing. As conversas e visitas entre os representantes do Consulado Geral e do meu Governo tornaram-se cada vez mais frequentes, e resultaram na visita ao nosso Estado de uma representativa comitiva de empresários e dignitários chineses, ocasião em que pudemos apresentar nossas potencialidades e oportunidades de negócios, além da participação de delegações de servidores públicos e empresários Potiguares em seminários de promoção das relações bilaterais realizados na China.

No final daquele ano, tive a oportunidade de visitar novamente a China após quase 25 anos. Se em 1995, quando estive em Beijing por ocasião da Conferência Mundial da Mulheres da Organização das Nações Unidas, a China já se mostrava como uma potência em franca ascensão, o país que encontrei em 2019 é, sem dívida, uma locomotiva a frente do crescimento da economia mundial. Chamou-me a atenção não só o crescimento e desenvolvimento tecnológico tão presentes na Capital, que ao mesmo tempo não se descuida de sua história e tradição de tantos séculos, mas a preocupação com a sustentabilidade. Essa foi vista por mim concretamente ao visitar o Centro de Esportes de Wukesong, que sediará as Olímpiadas de Inverno de 2022, arquitetado em uma antiga siderúrgica totalmente adaptada, em marcante feito de desenvolvimento sustentável e rejuvenescimento urbano.

A viagem foi, ainda, uma importante oportunidade para desenvolver conversas com empresas chinesas de diversos setores. Concretamente, firmamos Protocolos de Intenções com duas grandes empresas do setor de energia, que já possuem investimentos na geração de energias renováveis em nosso Estado, e pretendem expandi-los além de instalar fábricas de equipamentos de geração de energia, como painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas.

Se nossos planos foram atrasados pela Pandemia da Covid-19, que assolou o mundo inteiro, com a China sofrendo seus primeiros impactos, esse momento de tamanha tristeza e dificuldades, também foi oportunidade de, mais uma vez, a China mostrar sua liderança e visão de um destino compartilhado de toda a humanidade. Ainda em março, recebemos, através da Senhora Consul Geral, não só demonstrações de preocupação, como oferta de apoio a nosso Estado no enfrentamento dessa terrível doença.

Mas esse momento há de passar, e nossa relação com a China tem os olhos para o futuro. Buscamos dar saltos técnicos na infraestrutura do nosso Estado, mas também na meta civilizacional de retirar da miséria e da pobreza nossos habitantes, como fez a China ao elevar para patamares acima da pobreza quase um bilhão de pessoas, e avançar no desenvolvimento educacional, científico e tecnológico.

Nosso governo está focado em alavancar a economia e gerar empregos. A partir da inspiração Chinesa, queremos garantir o crescimento econômico sem causar degradação ambiental, garantindo a harmonia entre a humanidade e a natureza.

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