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Investimentos da China no Piauí podem chegar a R$ 15 bilhões
2020/09/08

Por: Wellington Dias, Governador do Piauí

Neste ano em que comemoramos os 46 anos da imigração e investimentos da China no Brasil, marcados pela instalação de embaixadas dos dois países nos territórios um do outro, o Piauí e a China confirmam quem essa aproximação se fortalecer ainda mais. A segunda maior economia do mundo é hoje o principal destino dos produtos piauienses, com 80% das compras. Embora importem basicamente produtos agrícolas, como a soja, os chineses agora têm investido, em solo piauiense, seu capital em infraestrutura e tecnologia.

Nós, enquanto unidade da Federação com bom relacionamento com todas as nações, temos fortalecido o contato com o país asiático com a intenção de mostrar as oportunidades que o Piauí oferece. Desde que fui governador a primeira vez, em 2003, até ano passado, fizemos quatro viagens à China para captar investimentos. O resultado já apareceu e ainda temos bons frutos a colher para os próximos anos.

A CGN Energias, por exemplo, faz aqui seu maior aporte no Brasil, na região de Lagoa do Barro, de R$ 2,1 bilhões. Atualmente atua com dois investimentos no Estado. Um é na área de energia solar, com o projeto Nova Olinda, na região de Ribeira do Piauí. O projeto foi vendido à empresa pela Enel Green Power e é a maior usina solar em operação da América Latina, com quase um milhão de painéis fotovoltaicos instalados em 690 hectares e capacidade para produzir 600 GWh de energia por ano no meio do semiárido piauiense.

O outro investimento é na área de energia eólica, com o Complexo de Lagoa do Barro, que entrou em operação em dezembro de 2018 e possui 195 Megawatts (MW) de potência instalada, gerados por 65 aerogeradores distribuídos por oito parques em uma área de aproximadamente 2.850 hectares.

Ano passado, a CGN anunciou mais investimentos no Piauí, ampliando para 3,6 bilhões de dólares os investimentos na região Ribeira do Piauí, São João do Piauí, Queimada Nova. A CGN Energias podia tomar a decisão de investir em qualquer lugar do mundo, mas escolheu o Piauí.

O Piauí foi o único estado do Norte-Nordeste convidado a participar, em agosto de 2019, do GRI China-Latam Infra Summit & Week 2019, a mais renomada reunião de infraestrutura entre líderes chineses e latino-americanos. A exclusividade do convite ao Piauí foi devido aos avanços em seu programa de Parceria Público-Privada (PPP).

Na ocasião, a nossa comitiva apresentou a cerca de 500 empresários asiáticos vários projetos nas áreas de energias, eólica e solar, tecnologia da informação, telemedicina e infraestrutura.

Quando olhamos a China, vamos falar de grandes investimentos, pois, provavelmente, serão os que chamarão mais a atenção. É o caso de saneamento – são cerca de R$ 3,5 bilhões [em aportes previstos] –, ferrovias – investimentos que poderão chegar a R$ 15 bilhões – e energias renováveis. De todo modo, estamos abertos a trabalhar [com os chineses em] todas as demais áreas.

Estivemos também conversando com a Huawei, sobre possibilidades na área de tecnologia. Temos em execução uma rede de aproximadamente 5 mil km de fibra ótica e agora queremos conectar os demais municípios por rádio, satélite e trabalhar telessegurança, telemedicina e telessaúde, além de modernizar nosso sistema administrativo.

A ZTE, que já investe no Piauí e é parceira da Global Task, ficou interessada no centro tecnológico para a segurança.

Em 26 de novembro do ano passado, mais de dois meses após a minha viagem à China, estive em audiência com o ministro conselheiro da China, Qu Yuhui, para tratar de acordos bilaterais que estão sendo realizados entre investidores chineses e o Governo do Piauí. Empresas como a CCC e a Concremat estão estudando o Porto de Luís Correia, a ferrovia em direção a Teresina, a Transnordestina e a Transcerrados.

Certamente a atração da China ao Piauí não é à toa. Somos um Estado de oportunidades e mostramos isso. É o Estado que mais tem acumulado crescimento real nos últimos anos. De 2002-2003 até 2019, tivemos um crescimento real na economia de aproximadamente 100%. Em termos nominais, saltamos de cerca de R$ 7,4 bilhões para algo como R$ 50 bilhões, e mantemos a perspectiva de evolução.

O Estado tem uma situação administrativa sólida e ocupa hoje a quinta posição em eficiência de gestão na comparação com os demais. O Piauí tem nota B [de capacidade de pagamento] na avaliação do Tesouro Nacional e não possui dívida com a União.

O Piauí tem ficado entre os cinco estados com maior capacidade de investimento do País – em 2017, ocupou o segundo lugar e, em 2018, o quarto – e vamos seguir nessa direção.

Estamos sempre nos adiantando pra agilizar o fechamento nas negociações. Antes da nossa viagem à China, em agosto, recebemos o presidente da multinacional China Communications Construction Company (CCCC), Luo Jun, especializada em investimentos em infraestrutura, portos e ferrovias, para debater e entender as potencialidades do estado e as possíveis parcerias na área.

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