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COOPERAÇÃO, AMIZADE E PERSPECTIVAS ENTRE O MARANHÃO E A CHINA
2020/09/08

Por Carlos Brandão,Vice-governador do Estado do Maranhão

A China é um país de cultura milenar que teve que se reinventar muitas vezes ao longo da história. Entre tantas batalhas - além de pobreza e fome -, com a reforma do sistema econômico e a abertura de suas fronteiras em 1978, o país alcançou um crescimento sustentado do PIB e se tornou a segunda maior economia do mundo.Resultado de um grande esforço nacional e muito planejamento. Por seu trabalho e vontade política, o país se transformou e chamou a atenção do mundo. Muitos olhares se voltaram para a China em busca de conhecê-la melhor. Com uma massa trabalhadora gigante e investindo em tecnologia, o país enxergou oportunidades e vem construindo diversas pontes com muitas nações.

O Maranhão, desde o início do governoFlávio Dino, em 2015, reconhece a importânciado país asiático para a economia mundial e busca estabelecer uma parceria sólida com os chineses, em prol do desenvolvimento do nosso estado. Avançamos muito e, hoje, a China já é um dos nossos principais parceiros comerciais. Uma ampla via de mão dupla, onde exportamos grãos e minério de ferro e compramos componentes e insumos agrícolas para os produtores locais. No entanto, trabalhamos e acreditamos que podemos expandir ainda mais essa relação, pautada em confiança e segurança jurídica. Desde 2017 que, sob o acompanhamento da vice-governadoria, a Secretaria de Indústria, Comércio e Energia do Maranhão realiza missões empresariais, com o objetivo de participar da maior feira multissetorial do mundo, a Canton Fair.

Mas, temos ido além. O governo maranhense se empenha em garantir o sucesso de diversos investimentos diretos, com a certeza de queproduzirão efeitos positivos para nossa gente. Outro ponto de interseção é a possibilidade de se trazer para cá inovação tecnológica; novas técnicas empresariais e administrativas, além de outros ganhos que podem resultar na expansão de nossa capacidade produtiva, impulsionando a geração de emprego e renda em nosso estado.Na busca por novos projetos, já temos em andamento a construção de um porto privado na Ilha de São Luís – um investimento de, aproximadamente, R$ 2 bilhões, que pretende movimentar 10 milhões de toneladas de carga ao ano; gerar, na fase de instalação, 2.500 empregos diretos, no pico das obras,e 7.500 empregos indiretos; e na fase de operação, gerar 800 postos de trabalho – cuja principal investidora é a empresa chinesa China ComunicationConstructionCompany (CCCC). Também, estamos numa longa jornada de negociação para a instalação de um complexo siderúrgico – um investimento de US$ 1 bilhão, com a estimativa de gerar algo em torno de cinco mil empregos. E ainda temos buscado projetos de cooperação na produção de grãos e para a instalação de uma esmagadora de soja, no intuito de expandir nossa produção e aproveitar melhor nossa infraestrutura local, que conta com portos, rodovias, ferrovias e hidrovias.

O melhor de tudo é que nossa relação não está sendo construída de uma hora para outra. Nosso governo recebeu a primeira delegação chinesa ainda em abril de 2015. Depois disso, vários encontros foram realizados; viagens e eventos foram pensados em conjunto. Assim, iniciamos nossa história de amizade e cooperação. E já tivemos algumas conquistas importantes, embora a jornada seja longa e árdua. E nessa estrada, ouvimos um belo conselho de Confúcio,o mais famoso filósofo e pensador político da China: “você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas do barco para chegar onde quer”.

Em solo chinês, pessoalmente pela primeira vez em novembro de 2015, tive a honra de conhecersua história, sua cultura, grandes empresas e ouvir muito sobre como são construídos o seu planejamento econômico e das próprias cidades. Além disso, apresentei nosso estado e tive contato com estratégias de negociação de possíveis investidores. No Brasil, aproximando um pouco mais o Maranhão da China, implantamos em terras maranhenses, em 2018, o Instituto Confúcio.Por tudo isso, participar das comemorações do dia da Imigração Chinesa, para mim, é uma honra.

A amizade entre nossos povos também está sendo fundamental na luta contra a pandemia da Covid-19. Os chineses se mostraram parceiros nessa hora, tanto na doação de EPIs quanto no fornecimento de equipamentos médicos.

Sentimos que já poderíamos ter avançado mais em nossa relação comercial. Porém, a instabilidade da economia e dos próprios movimentos políticos nacionais, dificultaram a obtenção de resultados melhores para ambos. A crise sanitária mundial, desacelerou ainda mais o processo. Mas, o Maranhão acredita em uma retomada. Até porque, pensamos que uma forte amizade Brasil/China seja fundamental para a retomada de nosso crescimento econômico.

Os chineses seguem expandindo seus investimentos através do projeto da Nova Rota da Seda, conhecido como “OneBelt, One Road”. E, certamente, seria bom para o Maranhão fazer parte dessa rota. Temos uma economia com grande potencial; uma localização privilegiada; uma boa infraestrutura para o escoamento da produção; recursos naturais e um potencial turístico enorme. Nós só precisamos de oportunidades, eas temos buscado ao longo desses cinco anos, com a certeza de que a nossa aproximação com a China é de ganhos mútuos, o que se consegue com governos claramente focados em crescer juntos, respeitando, cada um, o espaço do outro e, essencialmente, sua soberania.

Nosso estado está ansioso por projetos ainda maiores. Sua gente se prepara e o governo prepara o Maranhão. Obrasadequam nossa infraestrutura a grandes movimentações. Nosso Porto do Itaqui, que segue batendo recordes de escoamento de grãos, continua se modernizando; hoje temos 14 obras rodoviárias em andamento, incluindo pontes e construção de rodovias; temos ampliado investimentos em tecnologia e inovação, e muito mais. Nossa intenção é continuar a tarefa de estreitar os laços comerciais, reconhecendo a grandeza de um país que soube reinventar seus processos e que pode nos ajudar no caminho ao desenvolvimento.

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