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O futuro das relações Brasil-China no pós-pandemia
2020/09/18

 

O futuro das relações Brasil-China no pós-pandemia

Thomas Law, Presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China

 

No dia 15 de agosto celebramos o Dia da Imigração Chinesa no Brasil. Em 2019, completamos 45 anos de Relações Diplomáticas entre o Brasil e a China. No mesmo ano, a China comemorava os 70 anos da República Popular da China. A pergunta mais importante neste contexto é: o que isso significa hoje para os dois países?

São tantos aspectos que podemos abordar que decidir por onde começar é um desafio. Vamos começar por um tema que me é caro: a amizade. Segundo Confúcio: "Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e por tempos difíceis. No sucesso, verificamos a quantidade e, nos tempos difíceis, a qualidade."

O Brasil e a China passaram pelas duas fases juntos. O país asiático é o maior parceiro comercial de nosso país há mais de uma década. São anos de um relacionamento mutuamente benéfico que impulsionam a nossa economia e abastecem o mercado chinês. Ambos partilharam por anos desta prosperidade. Mas as raízes deste relacionamento são mais antigas e profundas do que esta fase de grande sucesso.

Quando a China passou por um período de mudanças, o Brasil acolheu os imigrantes chineses que buscavam novas oportunidades. Meus avós e pais estavam entre eles. O país verde-amarelo oferecia seus desafios, como a língua e os costumes, mas também muitas oportunidades para os trabalhadores chineses. Esta primeira geração aprendeu muito com os brasileiros. Hoje, muitos dos que nasceram na China afirmam que são chineses, mas sua alma é brasileira.

Pertenço à segunda geração: sou brasileiro descendente de chineses. Vejo com bons olhos a forma como a relação de amizade entre os dois países evoluiu nas últimas décadas. Por ser apaixonado pela cultura brasileira e ter laços de ancestralidade com a cultura chinesa, me tornei presidente do Instituto SocioCultural Brasil China - Ibrachina. Nossa missão é promover a integração entre os povos, o que realizamos através de eventos culturais, acadêmicos e esportivos. Tivemos a felicidade de participar da própria criação do Dia Nacional da Imigração Chinesa no Brasil, realizada pela Frente Parlamentar Brasil China no Congresso Nacional.

Realizamos parcerias com o Olodum para promover a cultura brasileira na China; com a Escola de Samba Acadêmicos de Vila Maria, que culminou no desfile "China: o sonho de um povo embala o samba e faz a Vila Sonhar", realizado este ano no Sambódromo do Anhembi; com o Instituto Confúcio da Fundação Álvares Penteado, para as comemorações do Ano Novo Chinês, entre tantas outras ações com universidades, institutos e governos municipais e Federal. Levamos startups brasileiras para eventos de inovação e tecnologia na China, como Rise Hong Kong em parceria com o Igloo Network. Foi um ano de grandes realizações na integração das nossas culturas e aprofundamento de laços de amizade.

Assim como acompanhamos os anos de prosperidade, agora vivemos um período de pandemia. O Brasil e o mundo estão em uma situação delicada. Neste momento, as doações de empresas e do governo Chinês ao Brasil para o combate do coronavírus já ultrapassam a cifra dos milhões e fazem a diferença em diversas cidades e Estados brasileiros. Tivemos a felicidade de participar de algumas destas ações. Este apoio mostra, como escreveu Confúcio, que a amizade entre o Brasil e a China é de qualidade.

Este ano, as celebrações do Dia da Imigração Chinesa terão de ser mais virtuais do que presenciais. Lamentamos a impossibilidade de encontrar pessoalmente nossos parceiros, mas entendemos o momento e a necessidade de adaptação. Deixamos a todos os amigos do nordeste nosso cordial abraço, e a certeza de que logo poderemos estar juntos,, trabalhando e realizando cada vez mais projetos que fortalecem esta profunda amizade entre os dois países.

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