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Responsabilidade pelo estreitamento da parceria sino-brasileira
2020/09/18

 

Responsabilidade pelo estreitamento da parceria sino-brasileira

Por: Ana Paloma Luo

Meu nome é Ana Paloma Luo, tenho 24 anos e sou brasileira com descendência chinesa. Meus pais se mudaram na década de 90 e desde então firmaram raízes no Brasil. Portanto, cresci sob a influência de duas culturas e dois idiomas. Sou formada em Ciências Contábeis na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e, atualmente, faço mestrado em Contabilidade na Universidade Central de Finanças e Economia (CUFE) em Pequim.

Desde criança, meus pais sempre procuraram estabelecer um equilíbrio entre a cultura chinesa e a cultura brasileira. No colégio, eu aprendia português e em casa aprendia chinês. Mas como a presença da língua portuguesa ainda era muito maior do que a chinesa no meu ambiente de crescimento, meus pais estabeleceram uma regra em casa para mim e para as minhas irmãs: nós só poderíamos assistir programas de televisão em chinês ou em inglês. E isso foi um dos fatores determinantes para o meu aprimoramento e fluência no mandarim.

Durante os estudos na faculdade, pude notar a presença das empresas chinesas cada vez mais frequentes na nossa economia brasileira e isso me fez ter um sentimento de responsabilidade de estreitar ainda mais os laços entre os dois países. No entanto, para me tornar uma profissional adequada para esta missão, ainda precisava aprimorar o meu chinês e aproveitar o meu tempo na faculdade para procurar oportunidades de estágio nas empresas chinesas. E assim em 2017, iniciei meus estudos no Instituto Confúcio da UPE e o meu estágio na Huawei Serviços do Brasil.

Foi durante o meu estágio na Huawei que pude ter a certeza de que estava no caminho certo. Isso se deve ao sentimento de familiaridade e de “casa” que senti dentro do escritório com as pessoas falando em chinês no dia-a-dia e à sensação de que eu estava contribuindo de alguma forma para aumentar a parceria das relações sino-brasileiras. Mas em contrapartida, observei que para atingir o meu objetivo maior, tudo o que eu estava fazendo ainda não era o suficiente. Então assim que me graduei na UFPE, solicitei no Instituto Confúcio uma bolsa de estudos de um ano na Universidade Central de Finanças e Economia em Pequim para ganhar a devida fluência no mandarim e, posteriormente, fazer um mestrado em chinês na minha área de formação.

No período de um ano aprimorando o meu mandarim na China, além de frequentar as aulas designadas pela faculdade, também frequentei como aluna ouvinte, aulas de contabilidade com estudantes nativos. E todo esse esforço foi recompensado com a bolsa de mestrado que me foi concedida pela CUFE através do Hanban. Mas um fato importante a ser mencionado sobre essa bolsa de mestrado é que sou a única aluna estrangeira de todo o departamento de Contabilidade da faculdade e isso se tornou um dos meus maiores desafios.

No começo, sofri um grande choque cultural mas conforme com o passar do período letivo, aprendi e compreendi ainda mais da cultura, dos costumes e da realidade chinesa. À medida que eu ia criando laços de amizades, pude perceber que apesar de ter crescido numa família chinesa, ainda havia muitas coisas das quais eu precisava conhecer e, o mais importante, respeitar a diferença cultural existente. Um outro ponto do qual me deixou extremamente surpresa foi a dedicação e a ambição por conhecimento dos meus colegas chineses e isso me serviu de modelo e determinação para me tornar a ponte das relações sino-brasileira.

No começo deste ano, voltei rapidamente ao meu país para visitar a minha família. No entanto, nem tudo ocorre como planejamos. O novo coronavírus se espalhou pelo mundo provocando uma grande pandemia. Mas felizmente, a pandemia não foi um empecilho que impediu a continuidade dos meus estudos. O meu segundo semestre do mestrado foi cursado inteiramente via online, o que foi bastante difícil e desafiador porque tive que conciliar os estudos com as questões familiares, aprender a ter disciplina durante a quarentena e, principalmente, aprender a lidar com o fuso de 11 horas de diferença entre o Brasil e a China. Por sorte, alguns dos meus professores foram bastante compreensíveis com o problema do fuso horário e com a nossa atual nova realidade, eles me concederam a permissão de assistir às videoaulas conforme o fuso brasileiro. Além de ser grata por ter tantos professores bondosos, sou grata pelos colegas extremamente prestativos que tive a oportunidade de conhecer. E assim que normalizar mais a pandemia, espero ansiosamente em poder voltar para a China e focar no âmbito profissional em busca de estágios com foco nas empresas chinesas que tenham parceria com o Brasil.

Como uma brasileira com descendência chinesa, me sinto responsável em contribuir para o estreitamento da parceria sino-brasileira e, portanto, espero atingir o meu objetivo com este mestrado do qual estou aproveitando o máximo possível e que me ensinou não só no âmbito acadêmico mas também no âmbito profissional e pessoal.

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