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Discurso da Sra. Cônsul Geral, Yan Yuqing, em Diálogos de Comério Exterior 2020 Região Nordeste
2020/11/30

 

Novo paradigma do desenvolvimento da China trará oportunidades à cooperação sino-brasileira

-----Discurso da Sra. Cônsul Geral, Yan Yuqing, em Diálogos de Comério Exterior 2020 Região Nordeste

 

Prezados convidados,

Bom dia!

É com muita alegria que ao convite da APEX, eu esteja participando do evento de hoje com outros cônsules gerais no nordeste. No contexto da pandemia que está afetando todo o mundo incluindo o Brasil, este evento é um momento oportuno para nos debruçarmos numa colaboração comercial atual e pós pandemia, seja ela uma cooperação bilateral entre a China e o Brasil, ou uma cooperação trilateral e multilateral, porque é como diz o ditado: “uma andorinha só, não faz verão”.

A colaboração sino-brasileira poderá ser um exemplo de cooperação entre os países

Desde o estabelecimento das relações diplomáticas em 1974, a China e o Brasil têm mantido uma relação amistosa, cooperativa e frutífera. A parceria estratégica global tem se elevado a um novo patamar, onde se destacam o comércio e investimento. Em 2018, o comércio bilateral bateu o recorde de 100 bilhões de dólares e em 2019, subiu para 115.3 bilhões de dólares. A China tem sido por 11 anos consecutivos o maior parceiro comercial e o maior destino de exportação do Brasil.

Queria salientar que, mesmo que a economia global se encontre em depressão em decorrência da pandemia, a colaboração comercial entre a China e o Brasil cresce contra a maré. De acordo com o Ministério da Economia, nos primeiros 9 meses deste ano, houve uma queda de 10% no comércio exterior brasileiro referente ao mesmo período de 2019. Enquanto isso, o comércio do Brasil com a China aumentou 6%, e os embarques brasileiros para a China aumentaram 14%, representando 34% do volume total da exportação brasileira.

O comércio agrícola, principalmente, atingiu êxitos relevantes, aumentando 11% a exportação de produto agrícola para a China, sendo beneficiado pelo crescente embarque de soja, carnes, pescados, lacticínios, frutas e nozes, etc.

Além disso, a China é o maior investidor estrangeiro no Brasil e é um dos países que garantem um investimento ao rítmo mais crescente. O capital chinês no Brasil tem acumulado até 80 bilhões de dólares, atribuídos à agricultura, ao minério, à infraestrutura, informática, manufatura, entre outros, criando mais de 40 mil postos diretos de trabalho.

Todos estes dados demonstram que a confiança no comércio e investimento entre ambos os países se mantém, através do interesse comum, do alicerce sólido existente e da perspectiva de cooperação.

A colaboração entre a China e o nordeste do Brasil enfrentará mais oportunidades que desafios.

Durante 2 anos atuando como Cônsul Geral em Recife, tenho me dedicado na descoberta do potencial do comécio com o nordeste e na criação de conexões entre os empresários dos dois países. Trabalhando com os governos nordestinos na promoção de projetos comerciais e investimentos, testemunhamos vários sucessos conquistados e planejamos a colaboração do futuro.

Mesmo perante o COVID-19, a solidariedade da humanidade ultrapassa a crueldade do vírus. Durante o combate contra a pandemia, a amizade sino-brasileira tem se aprofundado e a cooperação se prevalecido, sobretudo no comércio agrícola, neo-energia e saúde pública.

Desde o surto do COVID-19, a embaixada e os consulados da China realizaram vários seminários virtuais nas áreas de comércio de serviço; infraestrutura; energia limpa; comércio de produtos agrícolas; saúde pública; comércio de cultura, cidade inteligente e segura, etc. Em setembro e outubro, participei das cerimônias de assinatura de dois projetos de energia eólica no nordeste, investidos pelas empresas chinesas, que apresentaram grande experança e determinação para efetuar investimentos na região nordestina do Brasil.

Acredito que essa confiança, baseada na localização privilegiada, nos recursos abundantes e nas condições favoráveis ao investimento desta região, atribui não só ao conceito de complementariedade e benefício mútuo mas também ao apoio e impulsionamento dos governos locais de ambas as partes e do consulado.

Estou muito feliz por ter estabelecido uma relação próxima com os governos estaduais. Além de manter uma cooperação íntima com o governo de Pernambuco, nas visitas ao Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas, liderei comitivas compostas por empresários chineses e mídias. Também recebi os governadores de Sergipe e da Paraíba no nosso consulado. Com o governador do Piauí, mantive contato virtual e de escrito. Além disso, realizámos em conjunto seminários de infraestrutura, neo-energia e eco-comercial, e exposição de promoção das companhias chinesas.

Graças às colaborações, muitos estados tornaram-se irmãs de cidades e províncias chinesas, como por exemplo, a província de Sichuan com Pernambuco, a província de Fujian com Ceará, Guangzhou e Chendu com Recife, Fuzhou e Dalian com Fortaleza. As cidades-irmãs efetuam uma colaboração pragmática e ao mesmo tempo, o Consulado da China está ativamente procurando mais parceiros para outros estados e cidades do nordeste.

Em agosto do ano corrente, ao comemorar o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e o Brasil e o Dia da Imigração Chinesa, o consulado lançou uma edição especial à comemoração da amizade sino-brasileira, onde foram publicados artigos particulares dos chefes estaduais, relembrando os frutos conquistados e prevendo a potencialidade dos negócios com a China. Referente ao comércio, mesmo com seus ângulos específicos, os autores se concentraram principalmente nos aspectos de infraestrutura; energia limpa; minério; produto agrícola; pecuária; pescado; alta tecnologia; medicina e saúde, cultura, educação e turismo. Todos eles têm em comum os princípios com que trabalhamos, ou seja, respeito mútuo e ganha-ganha.

O novo paradigma do desenvolvimento da China trará oportunidades à cooperação sino-brasileira

A pandemia está causando um grande desafio econômico mundial, do qual nem a China conseguiu escapar. Porém, graças ao rápido controle do COVID-19, a China está recuperando o comércio e a indústria, impulsionando o consumo e a demanda doméstica, retomando uma economia estável e crescente. Enquanto que no 1º trimestre, o PIB da China registrou um tombo de 6,8%, nos resultados do 2º e 3º trimestre houve uma aceleração de 3,2% e 4.8%. Isso demonstra que a economia da China tem consistência e capacidade de auto-recuperação, tornando o mercado chinês promissor.

Em outubro, a China propôs as principais metas de desenvolvimento social e econômico para o 14º Plano Quinquenal e os Objetivos a Longo Prazo até 2035, onde lançou um novo paradigma de desenvolvimento em que a circulação interna é o pilar e a circulação interna e internacional se reforçam mutuamente. Perseguindo essas metas, a China vai se transformar em um dos países mais inovadores e vai concluir o sistema da economia modernizada.

O novo padrão do desenvolvimento enfatiza a circulação doméstica como o pilar, o que significa que a expansão da demanda doméstica será estratégica. O gigante mercado chinês formado por 1,4 bilhões de pessoas prometerá um volume de importação acumulado em mais de 22 mil bilhões de dólares nos próximos 10 anos. E ao mesmo tempo, essa paradigma não significa uma circulação internamente fechada, mas sim uma abertura tanto interna como externa. A circulação dupla vai entrelaçar mais estreitamente o desenvolvimento da China com todo o mundo.

Para enfrentar o desafio provocado pela pandemia, a China nunca desistiu de renovar o modelo de cooperação e de lançar séries de políticas para a libertação e facilitação do investimento estrangeiro. Foram realizados vários eventos virtuais e presenciais de comércio de serviços, incluindo a 3ª Exposição Internacional de Importação da China. Enquanto isso, a China tem acelerado a construção da zona piloto de comércio livre e tem atualizado uma lista negativa mais curta para o investimento estrangeiro.

As políticas de abertura da China durante a pandemia renderam frutos. Nos primeiros três trimestres de 2020, o valor do comércio exterior da China se expandiu 0.7%, e o investimento estrangeiro direto teve um crescimento de 5.2%. Em abril, a China voltou a ser o maior parceiro comercial dos Estados Unidos e pela primeira vez, se tornou o maior parceiro do comércio da União Europeia. No dia 15 de novembro, a China assinou a Parceria Econômica Abrangente Regional (RCEP, na sigla em inglês), o maior tratado do livre-comércio do mundo. E no dia 20, o presidente Xi Jinping participou do 27º Encontro de Líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês) e proferiu que a China assumirá uma atitude positiva em relação à ideia de aderir ao Acordo Abrangente e Progressivo para Parceria Transpacífica (CPTPP, em inglês).

A China nunca vai fechar a porta que já está aberta e os esforços de abertura para o exterior estão aumentando a cada dia. A China seguirá as ideias de cooperação, união e ganha-ganha, tornando o mercado chinês como um mercado compartilhado e beneficente pelo mundo. Acredito que o novo paradigma chinês providenciará à cooperação sino-brasileira mais chances, maior mercado, políticas mais favoráveis e um futuro mais amplo.

A China e o Brasil devem desenhar de mãos dadas um novo padrão de colaboração de ganha-ganha.

A China e o Brasil já provaram que, mesmo à distância e perante a pandemia, os dois países podem aproveitar a tecnologia virtual para alcançar êxitos.

No futuro, eu e o consulado da China estaremos dispostos a continuar estreitando as comunicações em forma de encontros virtuais com os governos locais de ambos os países, e com APEX, SUDENE, Câmara de Comercio Brasil China e Rede Brasileira de Estudos da China, etc., a fim de criar oportunidades para os ambos os países. Quando a situação da pandemia estiver controlada, gostaria de visitar os estados nordestinos in loco com uma comitiva composta por empresários e mídias chinesas, para podermos estender a colaboração.

Estamos dispostos a continuar a aprofundar a cooperação correspondente à vantagem e necessidade da região, tanto nas áreas tradicionais, nomeadamente, de infraestrutura, energia e agricultura, como nos aspectos emergentes, por exemplo de economia online e digital, comércio digital, e cidade inteligente e segura.

Um ditado chinês diz que “Cem flores desabrochando traz ao jardim a primavera.” Sabemos que as vantagens da cooperação do Brasil com cada país estão sendo representadas pelos cônsules que se encontram aqui, e que se trabalharmos a fim do desenvolvimento do bem-estar do povo brasileiro e da amizade com o Brasil, a colaboração tanto bilateral como trilateral ou multilateral, alcançará, assim, êxitos para ambos os países e todos os demais que estiverem envolvidos.

Para terminar, desejo sucesso no evento de hoje. Vamos avançar de mãos dadas, combater o vírus e obter um futuro mais brilhante. Obrigada!

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